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24.5.12

Em Negara, o autor descreve a cerimonia fúnebre de um Rajah em um Estado vizinho à Bali que se dá a partir de um evento gigantesco e muito elaborado. O desenrolar do evento torna evidente a importância atribuída a questões relacionadas a vida e a morte no seu sistema de valores e crenças.
Assim como Geertz encontra em Bali seres humanos, inseridos em uma determinada cultura, representando o cosmos dela, a partir de dimensões teatrais nas quais recriam esse cosmos e mostram sua concepção de mundo, tentamos, em nosso seminário, apresentar a novela como uma ação simbólica presente em nossa própria cultura.
Na cena representada, um casal assiste a um capítulo da novela que acompanham diariamente. Por intermédio da televisão, veem o cotidiano de um casal que cumpre normalmente as funções sociais verificadas em nossa sociedade. Representam como concebemos o casamento, a relação entre empregado e patrão, entre amigos e, até mesmo, a traição, que traz um contraexemplo da conduta esperada nessa sociedade.
Geertz propõe uma apreensão dialética das partes que estão incluídas no todo e, do todo, que motiva as partes, de modo a tornar visíveis, simultaneamente, as partes e o todo de uma cultura específica. Acreditamos que mostrar um casal que assiste a uma representação sobre o que poderia ser seu próprio cotidiano é uma forma de tornar evidente como alguns de nossos próprios hábitos podem ser compreendidos como ações simbólicas.

15.5.12

Goffman e a consolidação do "Eu" com a performance


Erving Goffman – "As Representações do Eu na Vida Cotidiana"

Grupo 4: Lancheiras

          O TS do grupo foi inspirado no texto de Goffman “As representações do eu na vida cotidiana”. O autor discorre sobre como o cotidiano muitas vezes está permeado de performances, como nossas ações são muitas vezes algo muito discrepante quando estamos frente ao “palco” de quando estamos nos bastidores. Fachadas são criadas e representadas a todo momento, elas são maneiras de agir, maneiras de performar e no fundo são maneiras de ser que realizamos com base em uma expectativa que existe de determinada maneira consolidada aos olhos dos expectadores e que nos são cobradas dependendo do lugar na sociedade que ocupamos e das funções e posturas que são esperadas para cumprirmos.
         O TS mostrou um casal de amigos que senta de forma despojada para conversar sobre assuntos absolutamente banais de forma aparentemente desinteressada. Os dois falam sobre o que estão fazendo em suas vidas: a garota tem um trabalho qualquer que parece não gostar muito e o garoto está estudando administração e parece não se importar demasiadamente com o curso.
         Um tempo se passa, o garoto recebe o diploma de administrador e começa a trabalhar no ramo empresarial, sua postura passa a ser bastante diferente. Ele começa a andar de carro e não a pé, passa a ter uma casa, a usar terno e gravata, corta o cabelo e faz a barba. O casal volta a se encontrar nesse segundo momento e a garota se impressiona com a fachada que o garoto transparece: ele não toma mais cerveja com ela já que passou a tomar apenas vinhos refinados, ele não aceita mais o cigarro que ela oferece, ao se sentar sua postura é ereta e não despojada sobre a cadeira. Essa fachada que ele incorpora e passa para a garota é característica da análise de Goffman: na medida em que "assumimos” um papel na sociedade, devemos dramatizar bem essa fachada para que haja credibilidade no papel desempenhado, assim, um empresário não se vestir com terno, andar na rua com uma lata de cerveja e não fazer a barba não passaria confiança no papel que se supõe que ele deve performare.
        Dessa maneira a apresentação do eu é essencial para a consolidação do papel que a sociedade espera de certas funções sociais que já estão estabelecidas e o desvio performático dessa fachada esperada implica na descredibilização do sujeito como ser legítimo para o desempenho do papel frente ao palco

6.5.12

Dança das Cadeiras: a lógica da brincadeira                    

Victor Turner "Liminaridade e Communitas" e a Antropologia da Experiência

Grupo 4: Lancheiras    

            O antropólogo estuda a sociedade a partir das experiências marginais, em uma época (final dos anos 60) em que os estudos passaram a dar mais importância aos movimentos contracultura. O foco das análises sociais não está na estrutura, mas no paradoxo, na ambigüidade. Exemplos dessa corrente são: Marie Douglas, Leach e Victor Turner. Esse modelo de pensamento vem em contraposição às formas frias de se olhar o mundo, em uma estrutura fixa e determinante. Passa-se a querer compreender a transformação.
            Dentro desse contexto de interesses e produção, Turner foca-se nos processos rituais e na maneira como a mudança é incorporada pelo ritual para reafirmar a estrutura vigente, em uma reanimação pelos sujeitos transformados. A cultura é abordada pelo seu aspecto processual e dinâmico da vida social. Para ele a importância do ritual vem da coesão trazida através da transmissão de valores. Isso, pois, envolve uma situação de Comunnitas, que seria o estado de homogeneidade, sem hierarquias entre os membros. Ritos, objetos, máscaras e cânticos acabam reafirmando a ordem e "comunicando os segredos da sociedade" por meio da reflexão. A forma complexa e ambígua tem efeito importante para a liminaridade.
            O que Turner denomina de estado Liminar são esses momentos caracterizados pela invisibilidade estrutural, ausência de status, transição, altruísmo, silêncio e simplicidade. Todos eles inseridos na experiência vivida pelos rituais. O estado liminar é indispensável para se entender a estrutura em uma metodologia dialética. Expõe as "pedras angulares" com as quais se constrói a cultura, olhando para o que escapa à estrutura. A liminaridade apresenta caminhos alternativos ou marginais, que aparentemente não são fatores estruturantes, mas à expõe através desse estado de transição, desse "entre".
            Em uma metáfora com o teatro, Victor Turner entende o ritual como uma performance que dá significado à experiência com a suspensão temporária dos papéis – contrariando o interacionismo de Goffman. Nessa linha de raciocínio, o autor ao voltar-se para as sociedades modernas e procura os ambientes que configuram esse estado de marginalidade em relação à estrutura. Em oposição à Liminaridade, esses momentos de suspensão temporária de papéis nas sociedades Pós-Revoluçao Industrial inserem-se dentro do contexto mercantilizado do capitalismo, com uma maior individualização, mas que estaria mais às margens do que o estado liminar. O estado liminóide apresenta uma maior fragmentação das possibilidades do "pensar", da reflexão. Diferente da Liminaridade que envolve todas as pessoas de uma comunidade sob mesmos valores e idéias durante o ritual. Essa diversidade e certa liberdade do pensar, do brincar, seria um momento de extrema criatividade e muito mais revolucionários.
            Assim, através do estudo das margens e da suspensão da ordem e dos papéis sociais cotidianos, Victor Turner realiza uma nova abordagem cultural. Pioneiro, um dos fundantes da Antropologia da Performance, o antropólogo pensa a vida social simbólica através da anti-estrutura.
            Realizamos o jogo da dança das cadeiras para simular um momento liminóide. Isso, pois a brincadeira nas sociedades modernas, para Turner, tem esse poder de suspender os papéis sociais cotidianos e através das regras internas do jogo inserir os indivíduos em outra lógica vigente. O que também pretendemos, foi configurar uma situação em que permitisse a criação de um fluxo, ou seja, que os participantes se esquecessem momentaneamente da realidade social vivida e fossem tomados por sentimentos, no caso de competitividade, que os movessem de uma forma distinta e que mudasse os seus comportamentos para com os outros jogadores em relação à dinâmica normal de sala.
Marcel Mauss – As Técnicas do Corpo - As Máscaras do Cotidiano
Grupo 4: Lancheiras
    A cena tem início com duas pessoas, um garoto e uma garota. Eles acordam, levantam-se da cama, escovam os dentes, os cabelos, e vão para a faculdade. Ele de carro, ela de metrô. Chegam na faculdade, se cumprimentam e vão para a aula. Ela presta atenção na aula, enquanto ele dorme. Dado certo horário ela o chama e ambos vão, juntos, para a “balada”.
    A partir de uma cena que poderia ter sido extraída do cotidiano de qualquer jovem adulto, o seminário tentou mostrar as diversas técnicas do corpo utilizadas pela pessoa em seu dia a dia e como essas técnicas acabam por formar as várias máscaras construídas ao longo do dia, mascaras estas que serão indispensáveis na composição do sujeito.
    Essas técnicas corporais utilizadas pelos personagens são formas de dar sentido às coisas do mundo que se afundaram em um processo histórico. Dessa forma, verificamos uma certa tendência em naturalizá-las: não refletimos mais sobre o fato de que são convenções históricas, ou seja formas de pensar e agir instituídas histórica e socialmente, a partir das quais, nos sentimos parte do todo que as segue.
    O corpo do sujeito só ganha vida a partir da inserção em um drama cósmico no qual faz uso das várias técnicas corporais para construir-se de acordo com os padrões de aceitação da sociedade.
    Quando acordam, esses sujeitos já começam a ser formados no momento em que escovam os dentes e os cabelos antes de sair de casa. No caminho da faculdade, a técnica corporal para deslocar-se em nossa sociedade fica evidente nos dois casos. Ela, para enfrentar o metrô lotado, precisa ser forte, aguentar empurrões, ao mesmo tempo em que empurra, segurar nas barras metálicas. Ele, de carro, enfrenta o trânsito e as regras estipuladas.
    Na faculdade, ambos sentam-se em cadeiras e anotam o que o professor discursa. Já na “balada”, a técnica corporal distancia-se de forma brusca a adotada na faculdade. O socialmente aceito, aqui, é a dança, a paquera e o movimento descontínuo.
    Um detalhe da cena foi o fato de ela ter sido realizada toda em silêncio, o que trouxe um certo incômodo para aqueles que assistiam. Tal incômodo pode ser atribuído ao fato de este silêncio abrir maior espaço para a reflexão das diferentes máscaras que os próprios espectadores usam em seu cotidiano e das diferentes técnicas do corpo utilizadas e que, de certa forma, já foram naturalizadas.