28.4.12

Posição contestada/ Posição reforçada

Textos da aula:

-Turner, Victor. "Liminal to liminoid, in play, flow, and ritual". In: From ritual to theatre: the human seriousness of play (Nex York: PAJ, 1982), p. 20-60;
-Turner, Victor. "Liminaridade e communitas" (Cap. 3). In: O processo ritual (Petrópolis: Vozes, 1974); -Turner, Victor. Schism and continuity in an African society: a study of Ndembu village life. (Oxford e Washington, D.C.: BERG, 1957);
-Tuner, Victor. "The anthropology of performance". In: The anthropology of performance. (New York: PAJ Publications, 1987). 

Integrantes do Grupo:


Herber
Clayton
Alice
Bruna
Leslie



Cáxara de forfe
cuspere de grilo
bicaro de pato
GOOOOOOOOOOOOR

Quinze!
Quinze!

asara de barata
nhéque de portera
já que tá que fique
GOOOOOOOOOOOOR

Quinze!
Quinze!

(Trecho do ‘grito de guerra’ do “XV de Piracicaba”, time de futebol do interior paulista)
           
Um dos membros do grupo (Leslie) se dirige até a lousa, pega um pedaço de giz e escreve em tom imperativo e letras garrafais: “COMO JOGAR:” - o público se entreolha, sem saber muito bem do que se trata.  Leslie continua: “1 – IR AO CENTRO” – embora de forma relutante, o público se dirige ao centro da sala. “2 – SENTAR-SE” – todos se sentam, formando uma grande roda. “3 – JOHN: SE LEVANTE” - o professor se levanta, bastante ruborizado. “4 – JOHN: VÁ AO CENTRO” – o professor caminha até o centro da roda e aguarda pelas próximas regras, aparentemente envergonhado e ansioso pelo que virá. “5 – CANTE O HINO DO XV DE PIRACICABA E DANCE” – John obedece às ordens, aparentemente ridículas, sem questionamentos. “6 – JOHN: RECOMPONHA-SE, VOCÊ É O PROFESSOR”.
            
       Segundo Victor Turner, as estruturas sociais designam papéis sociais que os indivíduos devem representar. Estes papéis sociais incluem atividades e ações específicas para cada indivíduo. O momento de liminaridade seria aquele em que o indivíduo se despe de seu status, fica nu perante os demais membros da sociedade para, assim, se desligar de sua posição anterior e permitir que um novo status lhe seja proposto pela sociedade que o cerca e que também participa da liminaridade. Assim, Leslie utilizou os “poderes rituais dos fracos” – um dos atributos das entidades liminares – que permite às pessoas comuns exercer autoridade sobre uma figura suprema, retratando-o como um “escravo”.
             
            Na liminaridade, a Communitas se sobrepõe à estrutura social estabelecida; se opõe a esta de forma dialética – não destrutiva, como um olhar descuidado poderia interpretar – de maneira que fornece à estrutura a capacidade de se reafirmar. Desta forma, a Communitas precisa da Estrutura para existir e a Estrutura precisa da Communitas e seus processos para se afirmar e se legitimar.

            Tivemos como objetivo durante a apresentação do TS criar uma situação de Communitas, em que a Estrutura vigente na sala de aula, em que o professor se apresenta como autoridade única e inquestionável – arraigada na meritocracia incontestável do meio acadêmico – fosse sobreposta por uma performance que, aparentemente, teria como objetivo ridicularizá-lo, mas que, muito pelo contrário, reforçaria sua posição. Não é possível sustentar indefinidamente uma situação de Communitas.

Todos se levantam do chão, a roda se desfaz, o riso e os comentários acerca da performance do John (que não é o professor John no momento da apresentação) indicam que o TS terminou, e o retorno aos seus lugares de origem indica que todos percebem que a Communitas deixou de se sobrepor à Estrutura e, novamente, todos voltamos a ter nosso status pré-determinado. Todos com a exceção de um: se Turner estava correto, o professor John não é o mesmo que antes da performance – talvez alguns agora o classifiquem como “um grande educador, que dá voz aos seu alunos”, outros como “um professor que, ao invés de impor sua autoridade aos alunos, permite que estes o ridicularizem”; mas, definitivamente, o professor John teve seu status alterado.   

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